ESPECIAL SÍNDROME DE DOWN
Esta é a reprodução de uma maravilhosa e explicativa reportagem feita pela jornalista Lais Mendes Pimentel da BBC Brasil. Jornalista esta, como vocês verão, mãe de uma criança com síndrome. Espero que traga a todos vocês as elucidações que me trouxe.
Deixo um agradecimento especial a Tia Chris que enviou esta matéria
Não deixe de ler:
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A presença
não mais invisível da síndrome de Down
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Se, até há muito pouco tempo, as pessoas que nasceram
com a síndrome de Down estavam, na maioria das vezes, condenadas a viver à
margem da sociedade, internadas em instituições para doentes mentais e
consideradas como a vergonha da família, hoje, a situação é diferente.
A convivência com as
pessoas que têm Down é uma realidade e cada vez mais presente.
Esta convivência é benéfica
para todos e não só para as pessoas que nasceram ou adquiriram uma deficiência,
uma população que corresponde, segundo a Organização Mundial da Saúde, a
10% dos habitantes do planeta.
A mesma porcentagem é
atribuída à população brasileira: ou seja, 17 milhões de brasileiros têm
algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental.
Brasileiros com Down
Uma população equivalente
à região metropolitana de São Paulo.
Dentro dessa população,
segundo o geneticista Juan Llerena, do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação
Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, a literatura médica trabalha com uma
estimativa de 300 mil pessoas que formariam a população que têm a síndrome
de Down no Brasil.
Muitas pessoas, inclusive médicos,
acreditam que esse número é uma subestimativa.
Como até há pouquíssimo
tempo esta fatia da sociedade era quase transparente, praticamente ninguém a
via ou convivia com ela, há ainda muita desinformação e equívocos sobre a síndrome
de Down.
Diferença
O convívio com a diferença
ainda não chegou ao nível de naturalidade que muitos esperam mas as últimas décadas
trouxeram uma reviravolta na maneira de ver e compreender as deficiências,
entre elas, a síndrome de Down.
A mídia tem sua parcela de
responsabilidade na integração social das pessoas que têm deficiência e
isso, aos poucos, vem acontecendo através de reportagens, debates, participação
em programas de TV e campanhas publicitárias.
O preconceito ainda existe,
histórias de discriminação também mas os instrumentos para a integração
desta fatia da população se multiplicam assim como as surpresas positivas que
cada nova geração de pessoas com Down traz.
Lais Mendes Pimentel / BBC Brasil
A
aceitação da Síndrome de Down por parte da sociedade
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A revolução vivida pela genética nas últimas décadas
familiarizou o grande público com termos como "genoma",
"clone" e "geneticista".
Segundo o geneticista Juan
Llerena, chefe do Departamento de Genética Médica do Instituto Fernandes
Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, o papel desse
especialista é o de obervar o fundamento genético por trás das doenças,
tanto antes quanto depois de sua manifestação.
"Nos grandes centros,
trabalhamos com eventos já acontecidos, as chamadas doenças do nascimento. Em
geral a família cai para um lado, o médico para outro. Infelizmente as doenças
genéticas têm um impacto muito grande e de certa maneira tira o tapete de todo
mundo", diz Llerena.
Juan Llerena acredita que a
cultura geral de um país influencia na aceitação das pessoas que nasceram com
uma anomalia genética. "Nossa cultura não está preparada para o
diferente e o impacto é muito grande nos adultos normais. As crianças normais
se adaptam muito cedo à questão das deficiências, das diversidades, e
participam de uma forma facilitadora", diz Llerena.
O médico diz que, a partir
de sua experiência, ele viu muitas crianças com síndrome de Down quebrando
barreiras culturais. "É curioso. A gente vê crianças com Down vindas de
um nível sócio-económico mais baixo, mas elas se adaptam muito melhor. A vida
é colocada a elas de uma maneira em que o normal não vai ser separado do Down
ou do desnutrido. Já aqueles que vêm de uma classe social mais alta, muitas
vezes acham que o dinheiro pode trazer o remédio miraculoso e se afastam da
complexidade da questão".
O interesse da medicina em
compreender as anomalias genéticas ajudou a expandir a sobrevida dos que
nasceram com síndromes como a de Down, de Edwards e de Patau, que há 30 anos
morriam muito cedo devido às próprias complicações médicas da doença.
Segundo o geneticista,
hoje, 75% das crianças com Down vão sobreviver além dos 35 anos.
"Estamos tendo o privilégio de assistir a um ganho de conhecimento enorme
num curto espaço de tempo, adqüirindo experiência clínica e prática,
acompanhando as diferentes formas que a trissomia 21 se expressa", explica
o geneticista.
"Hoje temos a
oportunidade de acompanhar gerações de pessoas com síndrome de Down. E isso
deve-se principalmente a programas como o do departamento da Fiocruz que tem uma
proposta de ter uma visão multidisciplinar sobre a síndrome e que não seja
centrada na deficiência mental. A idéia é trabalhar nas habilidades e
capacidades adaptativas. Acho que esta é a grande mudança de vertente que tem
ocorrido no mundo", diz Llerena.
Juan Llerena se mostra
otimista com esta nova filosofia que reúne não só uma equipe médica, mas
também fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.